*Esse texto foi escrito dois meses atrás, por favor desconsidere o atraso
Desde o Lollapalooza em 2013, quando eu assisti Foals logo depois deles terem lançando o Holy Fire, que eu tento achar um jeito de assistir os caras ao vivo de novo. Na época, eles montaram um setlist inteiro de músicas novas e nem precisa dizer o tamanho da minha frustração quando eu percebi que só conhecia quatro músicas de um show de mais de uma hora.
Felizmente eu descobri que eles iam estar no Parklife em Manchester nesse mês, um festival famoso por aqui. Meus vizinhos tinham acabado de comprar ingressos e aproveitei que eu ia estar mochilando por aí pra passar por lá e ir com eles.
Não sei se foi o fato dos hostels cidade estarem lotados um mês antes do festival e de eu ter dormido sozinho na rua, não sei se foi porque eu carreguei um mochilão com roupa de quinze dias por oito horas de festival ou se foi porque eu peguei uma tempestade (gripado) por metade dessas oito horas; mas foi o festival mais diferente que eu já fui na minha vida.
Na verdade, provavelmente deve ter sido o fato de eu ter descoberto, já no meio da tarde, que se tratava de um festival de música eletrônica e que Foals era a única banda que eu gostava. Beleza, rolou também o cara do XX tocando um set eletrônico, e Bastille, que eu não conhecia na época. A questão é que, pra alguém que prefere um barzinho a uma balada, se ver no meio de uma rave sem querer é bastante engraçado.
Comecei a encher a cara pra entrar na "vibe" dos meus vizinhos e dos demais da tenda enquanto o Jamie XX tocava. Mas logo lembrei que eu não tinha dinheiro o bastante pra bancar cerveja em libra em festival, e que obviamente cerveja nenhuma ia equiparar a quantidade de MD que a galera lá tinha tomado.
Apesar da diferença de clima e de que o público do festival era predominantemente uma espécie de "coxinha britânico", a galera que eu cruzei no meu caminho foi bastante gente boa. Ri pra caralho vendo todo tipo de gente fazendo as coisas mais aleatórias que eu já vi na minha vida antes de pegar no sono na lama por volta de umas seis da tarde ao som de um tal de post-dubstep.
Quando eu acordei a chuva tinha passado. Eu já estava sóbrio de novo, e o por-do-sol tava cinematográfico. Reencontrei meus amigos e fomos pro palco principal esperar a hora do Foals. Tirando pela lama que persistiu, daí em diante parece que foi outro festival.
A real é que eu só queria ver a porra do show do Foals logo e tirar de mim esse ressentimento que eu guardava há tanto tempo. Umas dez da tarde (ainda dia no horário de lá) eles entraram no palco, e dessa vez eu tava preparado. Eu tinha comprado o CD deles e deixado quase em loop no meu carro por seis meses antes desse dia chegar. Eu era um dos poucos no festival que tava lá pra assistir o show dos caras. E realmente não me decepcionei. A performance foi foda, eles tocaram quase todas as músicas que eu queria ouvir, e nem o pedantismo do vocalista manchou a impressão de que eles são uma puta banda. A soma da noite foi bastante positiva. E uma pessoa aleatória ainda elogiou o meu cabelo.
Antes da noite acabar, ainda deu tempo da grade na fila do ônibus desmoronar e de algumas pessoas serem pisoteadas. Felizmente tudo acabou bem, e eu segui pra rodoviária onde eu passaria a noite em claro e então rumaria a outras dezenas de perrengues no meu mochilão.
Fato aleatório 1: Pra quem acha que "organização brasileira é um lixo", minha experiência me provou que em relação a quantidade de filas, a falta de banheiros e a sujeira, o Lollapalooza SP não deve a nada aos festivais que fui aqui.
Fato aleatório 2: Uma das minhas amigas disse que a irmã dela já morou com o vocalista do Foals, e confirmou que ele é mó cuzão mesmo.

RAFAEL MELO
Tem uma banda que gostaria de fazer sucesso, gosta daqueles rocks ingleses e de MPB e se sente deslocado toda vez que pedem pra tocar Jota Quest ou Natiruts em lual na praia. Lê menos e fala mais do que deveria.


