Nos últimos dias tive a oportunidade de, pela primeira vez, estar acompanhando uma banda do outro lado dos palcos. Quer dizer, claro que já vi muitos shows, mas essa foi a primeira vez que pude ser de fato roadie de alguém. Mais legal ainda o fato de se tratar de uma banda tão parecida com a Martin.
Foi ótimo pra matar a saudade. Fazem quase seis meses que eu não carrego um case de guitarra ou desenrolo um cabo P10. O cheiro das pedaleiras novas, dos bares mal lavados, tudo isso só me deixou com mais vontade de voltar voando (literalmente) pros estúdios. E posso dizer que fiquei feliz quando descobri como, mesmo fora do palco, você se envolve com o show de um jeito completamente diferente e vibra como se fizesse parte da banda (pode ter sido só eu, mas espero que a galera que ajuda a gente lá no Brasil sinta isso também – um abraço pros lindos Fernando e Muka).
Foram ao todo três shows (infelizmente o quarto foi cancelado), e posso dizer que as noites foram sem sombra de dúvida muito boas. Vi quase dez bandas nesses dias, e pude notar uma grande distinção das bandas independentes que vemos no Brasil. Por aqui, parece que a galera tem tentado experimentar um pouco mais, usar o selo “independente” como um salvo conduto pra viajar mesmo. Menos arroz com feijão, mais farofa. Sei lá, faltou uma metáfora decente mas você entendeu.
Claro que tinha bastante banda no tradicional Punk inglês (umas três), mas claro também que não seria Londres se fosse de outra maneira. Também ouvi uma banda de Soul muito foda chamada Rhythm Methody, com uns dez integrantes, baita backline e som fino demais. Procurem.
No geral o nível das bandas era bom. Bandas criativas, bandas diferentes e se você reparar bem quase todo mundo aqui tem cara de artista profissional. Mas a real é que não impressionou. Já vi banda pequena no Brasil tocar no mesmo nível e até melhor que as bandas que assisti. Talvez por esse motivo, sem puxação de saco (e na minha opinião), o show da Mayo tenha sido disparado o melhor.
Pode ser porque eu conhecia as músicas e sabia cantar junto, pode ser porque eu tava ajudando e sou amigo dos caras, mas, observando a galera que estava em volta, eu tenho certeza que foi a banda que mais chamou a atenção do público. De fato, achei que o show dos caras foi quase impecável. Como um amigo bem disse, o som da Mayo ao vivo é até melhor que no CD. Isso é uma puta qualidade invejável, quem dirá pra um trio. Não vou jogar confete pros amigos, mas só queria deixar registrado meu parabéns mais uma vez. Vou deixar um vídeo aqui embaixo e vocês decidem por conta própria.
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| Pisar no mesmo palco que o cara, é mole? |
Agora, isso também não quer dizer que as casas são mil maravilhas e estão lotadas, até porque o planeta ainda é o mesmo. Mas a questão é, apesar de algumas vezes vazias, que músico apaixonado (e iniciante) se negaria a tocar repertório autoral sem cota (e até com cachê as vezes) quatro vezes por semana em casas arrumadinhas por uns tempos?
Enfim, sintetizando, é isso. Já falei demais por hoje. Queria agradecer ao Erik, Pelo e Marcelo mais uma vez pela oportunidade de matar a saudade dos palcos e de fazer parte dessa grande coisa que é uma turnê internacional. Me diverti muito e valeu pra caramba. Que seja a primeira de muitas.
Fiquem agora com o ao vivo de Blue, no White Lion Pub, com a ilustre participação de minha pessoa e do também músico Andreas:

RAFAEL MELO
Tem uma banda que gostaria de fazer sucesso, gosta daqueles rocks ingleses e de MPB e se sente deslocado toda vez que pedem pra tocar Jota Quest ou Natiruts em lual na praia. Lê menos e fala mais do que deveria.


