Supercombo: Mais do que um indie esquisito

Entrevista com a banda supercombo

Eu diria que a gente pode ser considerado Indies, um Indie bem esquisito talvez”, diz Léo, vocalista da Supercombo, sentado em um pequeno sofá preto no estúdio de gravação da banda, no bairro de Moema, em São Paulo. O disco recém lançado, Amianto, veio para marcar uma nova fase da banda, Léo, foi o único remanescente da formação original. No disco, letras extremamente poéticas se misturam com ótimas melodias que dão uma cara muito especifica da Supercombo, a banda sabe disso e brinca “A gente faz até axé no meio das músicas”.

O fato é que apesar de definirem como esquisito, o público se identificou com o som da banda, Amianto tem trazido bons frutos para eles, os fãs crescem a cada dia, os shows lotados têm sido cada vez mais frequentes e os prêmios também começam a aparecer, o principal motivo disso talvez seja o processo de criação sincero com que fizeram o disco, apesar de haver músicas com sonoridade mais popular, ele foi feito completamente da forma que a banda achava ideal “A gente foi tão despretensioso nesse disco e eu acho que vinham fazendo tantas coisas pasteurizadas e a gente simplesmente fez do nosso jeito” explica Paulo, responsável pelos teclados e efeitos da banda, “É como a história do patinho feio, as pessoas olham e estranham, mas como é um universo próximo de todo mundo e muito diferente ao mesmo tempo as pessoas acabaram se identificando.”, e é completado por Léo “Nós somos um matagal no meio do oceano.”.

Quanto mais espaço a banda ganha com o público, mais espaço ganha na vida dos integrantes, os músicos já conseguiram fazer da banda sua prioridade, algo que não é tão fácil no Brasil. “Nosso trabalho diário está sendo muito pesado positivamente falando.” Conta Paulo “É a nossa vida. Quando a gente montou essa formação acabamos incorporando um pedacinho da banda na nossa vida.”. Essa frase de Paulo mostra o quão benéfica foi a reformulação da Supercombo, o entrosamento da banda está ótimo e a resposta do público tem sido muito positiva, a baixista Carol Navarro conta que os fãs tem dado preferência para as novas músicas no show “A galera canta o disco novo inteiro, as vezes a gente vai tocar umas antigas e a galera não vibra tanto, mas cantam todo o disco novo, é demais!”.

Em um sábado à tarde, em pleno dia do festival Lollapalooza, a banda realizou um show na Saraiva que reuniu centenas de pessoas, Léo brincou com a cena “O Justin Bieber deve estar dando autógrafos para a galera!”. A verdade é que eles ainda não haviam assimilado o quanto a banda está conseguindo mobilizar, tanto que no mesmo dia, em um novo no Feeling Music Bar, a banda conseguiu mobilizar mais centenas de pessoas, fazendo com que a banda só aceitasse que era pra ver eles quando já estavam no palco.

O carro chefe de Amianto é o single Piloto Automático, que já passou de 200mil visualizações no canal da banda na internet, a faixa é cantada a plenos pulmões pelo público dos shows, mas apesar de já ter algum tempo desde seu lançamento, o single não para de atingir pessoas, começou recentemente a tocar na rádio Atlântida do Sul e em algumas rádios a música chega a estar na frente de hits sertanejos “É legal que as pessoas estão curtindo a banda e não é Jabá, sabe?” diz Paulo “Os caras acham legal porque é diferente e está rolando um espaço bacana, principalmente comparado a artistas com orçamento grande. Piloto Automático foi a música que representou essa mudança da gente totalmente despretensiosa”.

Em certo momento, ainda no estúdio, a Kika, uma das produtoras da banda, me ofereceu um cappuccino e me mostrou mais sobre o estúdio, contou que fez a pré-produção de todas as bandas que passaram por lá. Foi interessante ver como eles conseguiram se organizar não só como banda, mas também como músicos, como explicou Paulo “Todo mundo trabalha aqui, Eu, a Carol, o Léo, só o Raul que não. A gente acaba ficando o dia inteiro fazendo coisas no estúdio.”.

Os caminhos que trouxeram a banda até onde estão foram muitos, as mudanças foram tão grandes e significativas, tudo para chegar no “Indie Esquisito”que citou Léo no começo da entrevista, talvez ele esteja certo nessa definição, mas com certeza a melhor explicação para a banda seja o próprio nome dela, um Supercombo de referências e emoções, que por vezes pode até soar esquisito, mas que está tão poeticamente encaixado na vida das pessoas que é impossível de passar despercebido.


GABRIELLE NEVES
Cursando fotografia, apaixonada por teatro e não sabe viver sem música. Não sabe esperar, tem a ideia e logo faz, não pode perder o calor do momento.