Sons de Londres #05: Busking

Busking

Pra você que sempre pensou em ir pra rua tocar seu violão e fazer uns trocados, tome cuidado: aqui por Londres isso é ilegal.

Pois é. Há umas semanas atrás fui tocar na rua com um amigo e um oficial gentilmente pediu para que parássemos porque estávamos infringindo a lei. Mas calma que não é tão ruim assim. Fui buscar mais a respeito, e segue aqui o que aprendi sobre o assunto:

Na tentativa de organizar melhor como rolavam as apresentações pela cidade, foi aprovada na última década uma lei que proíbe que artistas executem performances sem uma licença concedida pelo governo*. Se você já foi pra Londres, você deve ter reparado que tem uma caralhada de artistas de rua cantando, dançando, fazendo malabarismo e sei lá mais o que em diferentes áreas da cidade. Pense agora que todos os que estão por lá tem uma carteirinha do governo, e imagine como estariam as ruas se não houvesse nenhum tipo de controle desse pessoal.

Basicamente, funciona assim: cada região da cidade tem distintas regras de acordo com o que é definido pelo “conselho do bairro” (sic). Em Camden, por exemplo, ainda é possível tocar nas ruas sem nenhum tipo de licença, já em Covent Garden (o Wembley do Busking), os artistas tem até que passar por uma audição (na pegada The Voice mesmo) antes de poderem mostrar seu trabalho nas ruas. As regras básicas para o Busking legalizado, além de ter carteirinha, são:

- Não ficar mais de 45 minutos no mesmo local

- Não “mendigar dinheiro” (crime na Inglaterra, ao menos no papel) durante a performance

- E claro, respeitar um limite máximo de decibéis.

A TFL (que controla as linhas de metrô) também tem sua própria forma de seleção de artistas. Diga-se de passagem, as linhas de metrô são um baita palco e permitem que um artista mostre seu trabalho pra um público de até 3.5 milhões de pessoas em um único dia de apresentação (chupa essa, Madonna). Os locais para Busking quase sempre contém uma região demarcada e as vezes até iluminação própria pra uma apresentação.

Depois de me informar, admito que até entendo a necessidade de existir algum tipo de “regulamentação” de artistas de rua. Apesar de burocracia sempre ser um pé no saco, dá pra ver que pelo menos por aqui ela permite que tudo funcione de forma mais organizada e profissionaliza um grupo de pessoas que realmente fazem do Busking seu ganha pão. A regulamentação também evita que role uns charlatões pela cidade, como uns russos que foram presos uns cinco anos atrás por bater carteira dos espectadores enquanto eram distraídos em supostas apresentações de rua.

Uma licença pra tocar na cidade custa em média 20 libras e sua duração varia de região pra região. É uma graninha, mas levando em conta que os ingleses podem ser bastante generosos e que um artista de rua chega a ganhar até 150 libras em meia hora de apresentação em Covent Garden (não escrevi errado, mais de 600 reais em MEIA de apresentação), até que vale a pena o investimento.

RAFAEL MELO
Tem uma banda que gostaria de fazer sucesso, gosta daqueles rocks ingleses e de MPB e se sente deslocado toda vez que pedem pra tocar Jota Quest ou Natiruts em lual na praia. Lê menos e fala mais do que deveria.