Sons de Londres #03: Brighton, sobre o sucesso, The Boxer Rebellion e Gente Nova.

Show realizado em Brighton na Inglaterra

Nessa semana saí pra mochilar pelo Reino Unido por uns dias. Precisava de uma desculpa pra sair da cidade, e encontrei esse show do The Boxer Rebellion, uma banda que gosto muito já há alguns anos e que provavelmente nunca vai fazer um show no Brasil. Aliás, se você gosta de rock alternativo e não conhece, vale a pena dar uma conferida. Os caras estão há mais de 10 anos na estrada e até hoje nunca fizeram muito sucesso, mas tem um som muito sólido. Eles são meio que um Radiohead ou The National menos depressivo.

O show ia acontecer no litoral, e depois de viajar pelo sul do país, cheguei a Brighton, uma cidade de praia que lembra muito Santos, apesar de ter mais estudante do que velho, mais gaivota do que pombo, e claro, de ser uns trinta graus mais frio. Cheguei na casa de show cedo pra ver as bandas de abertura. O local não era muito grande, deveria caber umas 600, 700 pessoas e estava vazio quando cheguei. Aos poucos o espaço foi lotando com um dos públicos mais aleatórios que eu já vi (tinha de tudo, desde meninas de 15 anos até uns tios de mais de 50), e assim começou o primeiro músico de abertura, tive boas surpresas.

CHRISTOF

O primeiro artista, solo, começou a tocar com a casa ainda vazia. Fiquei na frente do palco pra prestigiar e prestei atenção nas composições. O cara acertou em cheio. Curto demais esses Folks contemporâneos, que soam quase todos muito parecidos pra um ouvido desatento. O holandês tinha uma puta voz, e as composições, que me lembraram bastante outros artistas que gosto como Fionn Reagan, Andrew Bird, Dry The River, me fizeram comprar um CD do cara na saída sem hesitar. Ótimo trabalho, pouco conhecido. Se você gosta de um Folk bem “sussa”, ouve essa faixa aqui embaixo: 


HALF HOUR HOTEL 

Confesso que essa banda não me marcou muito. Me identifiquei bastante com a dinâmica dos caras, um quarteto que, apesar do estilo totalmente diferente, por algum motivo lembrava um pouco minha banda. Não consegui ser marcado pelo show de pouco mais de 30 minutos. Preciso ouvir com calma mais tarde pra tentar entender melhor o som. Ainda assim, os caras foram os únicos que deram EPs de graça na saída, portanto, merecem um parabéns por isso.

THE BOXER REBELLION

Tempo depois chegou a hora do show principal. Depois de anos ouvindo o som dos caras, finalmente ia assistir um show ao vivo. Admito que foi uma sensação estranha o momento que eles subiram no palco: todos já mais velhos, guitarrista e baterista consideravelmente “acima do peso” e claro, tocando pra uma plateia (apesar de cheia) muito menor do que eu imaginaria quando ouvia as músicas deles no meu iPod.

Show da banda Boxer Rebellion em Brighton, Inglaterra
Não vou fazer uma resenha completa porque sei que ninguém vai ler, então vou ressaltar os pontos principais. Logo de cara os caras tocaram uma das músicas que mais gosto, The Runner. Plau. Uma baita surpresa já que a música é de um álbum antigo e eles estão na turnê do novo CD (CD esse que deu a banda, depois de anos, um maior reconhecimento do público). Ao longo da noite eles não me decepcionaram: tocaram praticamente todas as músicas que eu queria ouvir e não esperava que eles fossem tocar. Ótimo setlist, baita show. Todos são ótimos músicos ao vivo e sabem o que estão fazendo.

Claro, foi uma experiência completamente diferente dos shows gringos que me acostumei a ver em grandes festivais no Brasil (não tinha jogo de luz pomposo, os músicos não tocavam em um palco de 20 metros e a multidão não gritava as músicas junto). No lugar disso, vi um show muito mais “humano” e que muito se assemelha aos shows de bandas brasileiras médias que vemos por aí. A guitarra do vocalista deu problema no meio do show, e observei o (único) hold correndo desesperado pelo palco tentando arranjar uma solução, entre outras coisas que você não vai ver no Lollapalooza.

Acho que o fato da banda estar na estrada já há algum tempo e de ter muitos fãs mais “maduros” também contribuiu pro clima mais ameno. De novo, foi uma sensação estranha. Ver um grupo que você admira numa situação não muito distante da sua, gera uma reflexão pessimista e otimista ao mesmo tempo. Por fim, o saldo da noite foi extremamente positivo.

Ouça abaixo a música mais famosas dos caras (não a melhor, na minha humilde opinião):

 

BONUS: DAN CROLL 

Fui tomar uma cerveja num pubzinho perto do meu hostel no dia anterior e acabei por assistir um show bem legal sem querer. No segundo andar do bar – uma salinha literamente do tamanho de um quarto - tava rolando um show de um tal de Dan Croll. Acontece que ao que parece esse cara tá começando a ficar famosinho na Inglaterra agora, e acabei por assistir o show dele na faixa. Show legal também, bons músicos, qualidade de som de plateia de grande. De novo, a mesma sensação descrita no parágrafo do Boxer Rebellion pode ser aplicada a esse show (o cara tem faixas com 1 milhão de views no Youtube e ainda assim, na prática, o vi fazendo um show pra menos de 50 pessoas).

RAFAEL MELO
Tem uma banda que gostaria de fazer sucesso, gosta daqueles rocks ingleses e de MPB e se sente deslocado toda vez que pedem pra tocar Jota Quest ou Natiruts em lual na praia. Lê menos e fala mais do que deveria.