Primeiro a Martin, depois o resto


"Se não der certo a gente pelo menos pode falar que demos nosso máximo", diz Lucas o baterista da banda Martin, em uma mesa de um bar razoavelmente cheio, próximo a orla da praia de Santos. Era começo de janeiro e muita gente ainda vinha de ressaca do Réveillon, e como sempre, a cidade estava lotada de turistas. Rafael Melo, líder da banda, continua o discurso "A gente vai ter coisas pra mostrar para os nossos filhos - Olha isso que gente fez, ninguém gostou, mas a gente fez e curtia pra caralho".  Isso era os últimos momentos de uma conversa onde dissertamos sobre o passado, o presente e o futuro do quarteto santista. 

Em pouco mais de 2 meses desde o lançamento de seu primeiro single intitulado #44, a Martin vem colhendo bons frutos, são mais de 1000 likes em sua fã page no facebook, e mais de 2000 plays em seu som de estreia, além de uma gravação de um Dvd Ao Vivo, o que é bastante para uma banda recente, na verdade, nem tão recente assim. O quarteto se conhece de longa data, e já fizeram sons juntos em uma banda com uma proposta completamente diferente, porém, resolveram começar do zero e dar uma repaginada total em seus sons, daí veio a Martin "A gente resolveu, mudar de nome, de estilo e começar do zero, nós esquecemos tudo que tínhamos feitos e começamos a Martin".

Hoje a banda está finalizando seu Ep ainda sem nome e chega a se reunir até 12 horas por semana entre ensaios e gravações, alguns integrantes ainda tem que se deslocar da Capital (Sp) para Santos, toda essa determinação mostra o quanto esses garotos amam o que fazem e dão o sangue para viver disso, conciliar carreira com música é tarefa para poucos, e colocar a música na frente de tudo é coisa rara de se ver nos dias de hoje "A gente tá levando isso a sério, estamos levando profissionalmente e mantendo nosso foco na banda", são as palavras de Rafael para toda essa garra.

Um momento interessante da conversa foi quando os integrantes revelaram suas influências, que vão da Mpb ao Post Hardcore, de uma certa forma sempre caminhando em terras melódicas, mas, bastante diferentes "São pouquíssimas coisas que gostamos em comum" Diz o baixista Vínicius "E o que gostamos conhecemos na banda. Por exemplo Two Door Cinema Club, Arctic Monkeys, The Killers", e tem seu pensamento rapidamente completado por Rafael que diz "Só que como nossas raízes são muito diferentes, acaba saindo um som que a gente não sabe definir muito bem o que é ainda, a gente quer ver aonde vai parar".

#44 comprova muito disso que conversamos, o som tem viradas precisas, arranjos lindos e uma composição incrível e ainda conta com uma participação belíssima da violinista Lindsay Soren, que acabou sendo o ápice do som, mas, a banda promete não investir tanto em instrumentos como esse para não causar dependência. De qualquer forma #44 já é um carro abre-alas e tanto, é impossível ouvir e não cantar junto com o refrão da música.

Antes de fecharmos nossa conta e encerrarmos nossa conversa Rafael diz "Eu acredito mesmo que o que é bom vai prevalecer um dia" e eu realmente espero que ele esteja certo, e bandas como a Martin que se reformulam e dão o sangue para fazer música boa, um dia realmente prevalecem, mas, o importante é que por mais que tenham reclamões para dizer que a fase da música não é boa, tem sempre uma Martin para provar o contrário. E deixe ela viver!