Estamos em uma noite de
verão em Guarujá no Litoral de São Paulo, eu espero
sentado sobre um espaço coberto por
algumas pedras de ardósia, até que pouco antes de 9
horas a primeira banda estaciona seu carro bem na minha frente. Se apresentam
então, 3 caras e
uma garota com roupas bem acima da média do local, os 3 eram Lucas e Mariana (sua namorada), e mais Diego e
Thierri , que somados ao guitarrista Luiz e o Batera Renan, que vieram depois, formam
uma das bandas mais emocionantes que tive a honra de ouvir, a About a Soul.
E foi com emoção que foi feito o show
deles, enquanto eu ainda estava no andar inferior e ouvi de longe. Ao chegar vi
um cover do City and Colour, da música Sometimes (I wish), feito com perfeição, delicadeza e carinho. E isso fez com que
o show não ficasse
cansativo, não fosse
carregado a força nos ombros.
Ao decorrer do show, brotava mais emoção do palco, e era fácil ver os olhares das pessoas admiradas com o sentimento que eles colocavam ao se apresentar. Em uma conversa com Lucas (vocalista da banda) após o show, ele explicou um
pouco da carga emocional que é empregada no som. “O About a Soul é pra trazer esse lance de
alma mesmo, trazer amor, trazer tristeza. A idéia é
passar o sentimento que a gente coloca na música para as pessoas”.
A primeira canção própria que eles tocaram no
show foi “The Valley”, que confirmou como o sentimento da banda está presente em suas músicas, como o ritmo vai crescendo ao longo da música e ela vai sendo preenchida com arranjos
perfeitos, e o som toca as pessoas, independente da língua em que está sendo cantado. Lucas mostra o quão sincera é sua música quando faz uma pausa
no meio do show para dedicar uma canção a sua namorada
No meio de nossa
conversa, outras bandas que iriam tocar no mesmo dia se incorporaram e criou – se uma discussão sobre o Folk Rock no
Brasil. Bruno Craveiro, da Rainha Stella, dizia o quanto a cena ainda era
inexplorada, visto a quantidade e qualidade das bandas. Na visão de Lucas, ainda tem poucas
bandas que tocam Folk. “Ele é
conhecido, mas não
é tão tocado, a galera sempre
pensa no Rock e quer colocar um Rock pesado”. E confessa “Eu já fui dessa vibe, eu
tocava em uma banda pesada, mas agora eu estou fazendo o que meu coração quer fazer sabe?”. Emendando este
tema a um contexto geral da cena Independente no Brasil, perguntei o que eles
achavam e quais eram as maiores dificuldades das novas bandas, e a resposta foi
dada em prontidão. “Falta
apoio das bandas teoricamente maiores, existem bandas que acham que são alguém, mesmo não sendo ninguém. Se você não curte o role do outro,
porque vão curtir o
seu? Se você não apoiar o outro, porque
vão apoiar você? Eu vejo que muita banda
cresce pisando na outra, e eu acho esse o maior erro do Underground”.
E encerraram seu show, e após nossa conversa e mais dezenas de elogios, se despediram do
Litoral, rumo a Americana, com aquela simplicidade de pessoas do interior,
carregando uma emoção nos seus
instrumentos, nos vocais, nas letras, jamais vista antes, deixaram saudades,
deixaram pessoas querendo mais About a Soul, porque não sei se ironicamente ou pretensiosamente, ninguém naquele dia tocou tanto
a alma quanto a About a Soul.


