Experimente os experimentos da 2019 (Entrevista)

Muitas bandas no começo de carreira tem um único foco e um único pensamento: Vamos fazer diferente! (e é até normal que pensem assim), o problema é que nessas de fazer diferente as bandas acabam dando passos falsos, o que acaba resultando em um som totalmente forçado. Nesses rolês que a gente costuma dar  pela internet procurando novas bandas eu conheci a banda 2019 de São Paulo Capital, formada por Thiago Ramos (guitarra/voz), Willem Mitsuo (baixo/voz), Daniel Tasato (percussão), Leonardo Souza (teclado), Leonardo Macario (bateria) e Rafael Violato (guitarra), eles mostram que inovação pode sim existir em uma banda, porém, o que se ouve em seus sons é algo natural que veio com o tempo e que foi se acrescentando a banda, resultando em um som lindíssimo que tem tudo para ser uma das futuras tendências por aqui.
Sabendo disso tudo não resisti e mandei email para eles no mesmo momento, fizemos uma entrevista bem bacana e deu nisso aqui.

Soube que no momento vocês tem focado bastante no próximo projeto de vocês, Do Silêncio ao Som. Como tem sido a produção desse disco? Podemos esperar alguma mudança no jeito de tocar da banda?

É verdade, esse é nosso grande filho! A coisa mais legal que fizemos em nossas vidas até agora! A produção do álbum foi muito divertida porque a banda inteira sabe trabalhar em equipe de um jeito que eu nunca vi antes. 

Imagine como foi: Estamos gravando tudo por nós mesmos, no estúdio do Leonardo Macario (que é nosso baterista), sem pressa, podendo experimentar, brincar com timbres, sem cobranças, então podemos gravar o que quisermos, se quisermos som de pato no lugar da caixa de bateria nós podemos, pois não tem ninguém nos dizendo o que fazer ou não, é o jeito perfeito para um álbum de estréia de uma banda. Tudo aquilo que mostramos nas demos estarão la, só que potencializados, e com a influencia de mais 2 membros!
Começamos como um trio, depois viramos um quarteto, e agora no meio do processo de composição e gravação do álbum viramos um sexteto.



Quais tem sido as influências para esse novo trampo?

Eu sempre me embanano todo pra responder essa pergunta. Imagine 6 pessoas muito unidas, mas com gostos completamente diferentes. Quando eu digo "diferentes" não estou falando que um curte Bon Jovi e outro Guns n Roses, estou falando de gostos diferentes mesmo! Como por exemplo o Leonardo que passa a semana ouvindo bandas como Hatebreed e o Willem que passa a semana ouvindo Maria Cecília & Rodolfo, ai chega o final de semana no ensaio e eu digo "bem galera, que tal fazermos um som novo?".
É exatamente esse tipo de mistura que se resultam as nossas musicas, você ouve alguns trechos de bateria que o Leo compõe que estariam muito bem numa musica do Close Your Eyes, como também vocais bem "chorados" a lá Chitãozinho e Xororó cantados pelo Will, ai nisso entram minhas influencias de musica pop e alternativa e as do Rafa de blues e hardcore californiano, mais os teclados vibe "Muse" do Treze e a percussão "Olodum" do Dan, ai você ouve a musica e não parece com nada disso.

Os teclados tocados pelo Treze foi uma das coisas que mais curti na banda e que mais me fez vibrar com o som de vocês. Como foi a entrada dele no que antes era um trio e o que mais mudou na opinião de vocês em relação a banda de antes?

A entrada do Treze na banda foi um dos grandes divisores de águas pra 2019. Quando éramos um trio, éramos apenas 3 amigos tirando um som, experimentando algumas coisas, brincando com musica. Quando decidimos gravar nosso segundo EP decidimos que talvez fosse legal ter um teclado também, então deixei um anuncio na internet, mas sem pretensão nenhuma, pois não era nada urgente, e nem sabíamos se queríamos mesmo isso.
Um dia recebi uma mensagem do Treze por um site sobre musica onde ele dizia que talvez tivesse algo a acrescentar  a banda, e vou ser bem sincero, ele quase nem entrou, ficamos bem relutantes, estávamos com medo dele ser um cara problemático e quebrar a boa vibe que tínhamos, mas como eu ja tinha prometido marcar um som com ele cumpri a promessa, e adivinha o que aconteceu? Já no primeiro ensaio ele conseguiu encaixar suas idéias as nossas, realmente acrescentou algo a mais a banda.

Agora porque eu digo que foi um dos divisores de águas: O Treze tem um conhecimento musical muito grande, tanto de teoria como pratica, e com sua chegada a banda nós tivemos que dar um passo pra frente.

Vocês costumam usar bastante efeitos nos sons, como na bateria da música “Mil Anos Aqui”, isso acaba dando uma personalidade bem diferente pra o som de vocês. Como vocês enxergam isso e como o público tem enxergado?

Como a gente enxerga isso eu não consigo explicar, a gente acha legal e faz, é simples assim, eu particularmente piro nessas coisas, nós não fazemos pra ficar diferente nem nada, é natural.
Toda a galera que nos acompanha curte a vibe também, esses efeitos mais diferentes e espaciais, fico feliz que até tenha virado uma das características da banda, mas obviamente não estamos revolucionando nada, bandas como U2, 30 Seconds to Mars, Angels and Airwaves já usam essas coisas no formato pop a muito tempo, só somos influenciados por elas.

Como uma banda independente sempre presente na cena e com integrantes muito experientes. Pra vocês qual é a maior dificuldade na cena e o que vocês podem aconselhar para as bandas que estão começando agora?

Cara, a resposta é a mesma para as duas perguntas: Respeito. Eu sempre achei que na cena atual faltava respeito pra tudo, inclusive a própria banda se respeitar. E pra galera nova, eu digo a mesma coisa, saiba respeitar as outras bandas, organizadores que fazem eventos legais, e inclusive, respeite o cara que toca ao seu lado. To vendo tanta banda que os membros mesmos não se respeitam entre si que ja nem sei onde esses caras querem ir.
Mas em contra ponto algo novo anda acontecendo. Pra quem vai a alguns shows da cena sabe que algumas coisas estão voltando, não o tipo de som, mas algumas atitudes. Nada esta perdido! Há!

E por fim... Como vocês esperam estar daqui a 7 anos?

Juntos tirando um som!