Sabendo disso tudo não resisti e mandei email para eles no mesmo momento, fizemos uma entrevista bem bacana e deu nisso aqui.
Soube que no momento vocês tem focado bastante
no próximo projeto de vocês, Do Silêncio ao Som. Como tem sido a produção desse
disco? Podemos esperar alguma mudança no jeito de tocar da banda?
É
verdade, esse é nosso grande filho! A coisa mais legal que fizemos em nossas
vidas até agora! A
produção do álbum foi muito divertida porque a banda inteira sabe trabalhar em
equipe de um jeito que eu nunca vi antes.
Imagine como foi: Estamos gravando tudo por nós mesmos, no estúdio do Leonardo Macario
(que é nosso baterista), sem pressa, podendo experimentar, brincar com timbres,
sem cobranças, então podemos gravar o que quisermos, se quisermos som de pato
no lugar da caixa de bateria nós podemos, pois não tem ninguém nos dizendo o
que fazer ou não, é o jeito perfeito para um álbum de estréia de uma banda. Tudo
aquilo que mostramos nas demos estarão la, só que potencializados, e com a
influencia de mais 2 membros!
Começamos
como um trio, depois viramos um quarteto, e agora no meio do processo de
composição e gravação do álbum viramos um sexteto.
Quais tem sido as influências para esse novo
trampo?
Eu
sempre me embanano todo pra responder essa pergunta. Imagine
6 pessoas muito unidas, mas com gostos completamente diferentes. Quando
eu digo "diferentes" não estou falando que um curte Bon Jovi e outro
Guns n Roses, estou falando de gostos diferentes mesmo! Como por exemplo o
Leonardo que passa a semana ouvindo bandas como Hatebreed e o Willem que passa
a semana ouvindo Maria Cecília & Rodolfo, ai chega o final de semana no
ensaio e eu digo "bem galera, que tal fazermos um som novo?".
É
exatamente esse tipo de mistura que se resultam as nossas musicas, você ouve
alguns trechos de bateria que o Leo compõe que estariam muito bem numa musica
do Close Your Eyes, como também vocais bem "chorados" a lá
Chitãozinho e Xororó cantados pelo Will, ai nisso entram minhas influencias de
musica pop e alternativa e as do Rafa de blues e hardcore californiano, mais os
teclados vibe "Muse" do Treze e a percussão "Olodum" do
Dan, ai você ouve a musica e não parece com nada disso.
Os teclados tocados pelo Treze foi uma das
coisas que mais curti na banda e que mais me fez vibrar com o som de vocês.
Como foi a entrada dele no que antes era um trio e o que mais mudou na opinião
de vocês em relação a banda de antes?
A
entrada do Treze na banda foi um dos grandes divisores de águas pra 2019. Quando éramos
um trio, éramos apenas 3 amigos tirando um som, experimentando algumas coisas,
brincando com musica. Quando
decidimos gravar nosso segundo EP decidimos que talvez fosse legal ter um
teclado também, então deixei um anuncio na internet, mas sem pretensão nenhuma,
pois não era nada urgente, e nem sabíamos se queríamos mesmo isso.
Um dia recebi uma mensagem do Treze por um
site sobre musica onde ele dizia que talvez tivesse algo a acrescentar a banda, e vou ser bem sincero, ele quase nem
entrou, ficamos bem relutantes, estávamos com medo dele ser um cara problemático
e quebrar a boa vibe que tínhamos, mas como eu ja tinha prometido marcar um som
com ele cumpri a promessa, e adivinha o que aconteceu? Já no primeiro ensaio
ele conseguiu encaixar suas idéias as nossas, realmente acrescentou algo a mais a banda.
Agora porque eu digo que foi um dos divisores de águas: O Treze tem um
conhecimento musical muito grande, tanto de teoria como pratica, e com sua
chegada a banda nós tivemos que dar um passo pra frente.
Vocês costumam usar bastante efeitos nos sons,
como na bateria da música “Mil Anos Aqui”, isso acaba dando uma personalidade
bem diferente pra o som de vocês. Como vocês enxergam isso e como o público tem
enxergado?
Como a
gente enxerga isso eu não consigo explicar, a gente acha legal e faz, é simples
assim, eu particularmente piro nessas coisas, nós não fazemos pra ficar
diferente nem nada, é natural.
Toda a
galera que nos acompanha curte a vibe também, esses efeitos mais diferentes e
espaciais, fico feliz que até tenha virado uma das características da banda,
mas obviamente não estamos revolucionando nada, bandas como U2, 30 Seconds to
Mars, Angels and Airwaves já usam essas coisas no formato pop a muito tempo, só
somos influenciados por elas.
Como uma banda independente sempre presente na
cena e com integrantes muito experientes. Pra vocês qual é a maior dificuldade
na cena e o que vocês podem aconselhar para as bandas que estão começando
agora?
Cara, a
resposta é a mesma para as duas perguntas: Respeito. Eu
sempre achei que na cena atual faltava respeito pra tudo, inclusive a própria
banda se respeitar. E pra
galera nova, eu digo a mesma coisa, saiba respeitar as outras bandas,
organizadores que fazem eventos legais, e inclusive, respeite o cara que toca
ao seu lado. To vendo tanta banda que os membros mesmos não se respeitam entre
si que ja nem sei onde esses caras querem ir.
Mas em
contra ponto algo novo anda acontecendo. Pra quem vai a alguns shows da cena
sabe que algumas coisas estão voltando, não o tipo de som, mas algumas
atitudes. Nada esta perdido! Há!
E por fim... Como vocês esperam estar daqui a 7
anos?
Juntos
tirando um som!

